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Como a Glicemia é Mantida no Momento de Jejum?



    Em torno de 75% da glicose oxidada/dia é direcionada ao cérebro, aproximadamente 120g/dia. O cérebro, assim como as hemácias são tecidos que dependem exclusivamente da glicose como substrato energético - exceto em condição de cetoadaptação no caso do cérebro - , dessa forma,  precisamos de mecanismos que garantam o suprimento ininterrupto de glicose para a corrente sanguínea. 

    Durante as primeiras horas de jejum o glicogênio hepático sustenta a manutenção da glicemia. Após 8h de jejum, nosso estoque de glicogênio hepático começa a se esgotar e entra em ação a gliconeogênese, que passa a responder por 64% da produção total de glicose nas primeiras 22h de jejum e passa a responder por 100% após 46h. 

    Lactato, glicerol e o esqueleto carbônico de alguns aminoácidos são utilizados na gliconeogênese.  No exercício anaeróbico intenso e nas hemácias o glicogênio muscular é convertido em glicose e essa glicose é convertida em lactato. O lactato então será enviado pela corrente sanguínea até o fígado e convertido em piruvato pela gliconeogênese para então ser novamente convertido em glicose fazendo a "rota inversa da glicólise". 

    Os esqueletos carbônicos dos aminoácidos são gerados pelo ciclo da uréia, onde o grupo amino dos aminoácidos é separado do esqueleto carbônico. 

    O glicerol vem da lipólise, que quebra as moléculas os triglicerídeos gerando 3 moléculas de ácido graxo e uma de glicerol. 


   Dessa forma, os níveis de glicemia podem ser mantidos estáveis até que o indivíduo se alimente. Vale ressaltar que no jejum os níveis de hormônios catabólicos estão altos e eles são responsáveis por disponibilizar aminoácidos para a gliconeogênese e para o ciclo de Krébs caso haja restrição de carboidrato. 



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Abraço
José Marçal

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