O diabetes mellitus tipo II (DMII) consiste basicamente num quadro onde as células-alvo da insulina tornam-se resistentes à sua ação, impedindo a entrada da glicose, causando um aumento persistente da glicemia mesmo horas após o indivíduo ter se alimentado. Para compensar essa ação diminuída da insulina, as células beta do pâncreas aumentam progressivamente a produção e acabam chegando à exaustão, gerando uma produção insuficiente de insulina para a quantidade de glicose disponível.
Como o DMII afeta basicamente o metabolismo de carboidratos, é bastante razoável se pensar que dietas low-carb seja mais eficientes no tratamento nutricional da doença. Mas vamos pensar um pouco além de uma simples afirmação sobre qual dieta seria mais eficaz, uma low-carb ou uma low fat.
Existem diversos fatores de risco para a DMII, como a inatividade física, uma alimentação de má qualidade e a obesidade. Falando um pouco mais detalhadamente sobre a obesidade, vamos observar alguns dados recentes sobre a prevalência da DMII nos EUA. Em 2015, aproximadamente 9,4% (30 milhões de habitantes) dos americanos foram diagnosticados com DMII e em pessoas com mais de 65 anos, esse percentual chega a 25%. Um relatório de 2018 estima que 87,5% dos pacientes com DMII estão obesos ou com sobrepeso.
A perda de peso é um dos pontos do tratamento da DMII, e ela acaba sendo uma consequência das mudanças que devem ser adotadas durante o tratamento, como uma dieta hipocalórica e a prática de atividade física. Mas de acordo com o estudo de Sacks et al., a perda de peso ocorre em qualquer dieta onde uma redução de calorias seja sustentada, independente da sua composição em macronutrientes.
Bem, na Nutrição, a nossa obrigação é tornar a dieta sustentável, por isso eu sempre digo que a dieta perfeita é aquela que o paciente consegue seguir. E apesar de a dieta low-carb causar uma perda de peso mais rápida - o que, inclusive, é vendido como "o milagre da low-carb" -, ao longo de um período maior, como um ano ou mais, percebe-se que a perda de peso é igual entre adeptos de uma dieta low-carb e uma dieta low-fat.
Aqui vão uns pontos para serem levados em consideração:
1 - Dietas low-carb podem causar "efeitos colaterais" desconfortáveis, desde alterações de humor e dores de cabeça, até constipação e fadiga, mas isso depende do quão restrita ela é.
2 - Uma dieta com restrição de carboidratos vai precisar de uma compensação energética com outro macronutriente. Se essa compensação for em gordura, de nada vai adiantar se essa gordura vier de alimentos com muita gordura saturada, por exemplo.
3 - A restrição em carboidratos apresenta vantagem em alguns estudos, como melhor controle glicêmico durante o dia, menor glicemia pós-prandial, melhora nos triglicerídeos séricos e HDL-colesterol. Mas é preciso observar a metodologia desses estudos, se havia um grupo controle, quanto de carboidrato foi oferecido, o momento em que esses carboidratos foram oferecidos, etc.
Referências:
Hamdy, O., Tasabehji, MW, Elseaidy, T. et al. Dietas com restrição de energia à base de gordura versus carboidratos para perda de peso em pacientes com diabetes tipo 2. Curr Diab Rep 18, 128 (2018). https://doi.org/10.1007/s11892-018-1103-4

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